sábado, 2 de fevereiro de 2013

Artigo: Gentileza com as Diferenças * Por Sr. Gentileza.


Existem mentiras que ouvimos desde criança e crescemos convivendo com elas. Nossos pais nos ensinam que devemos respeitar o próximo porque isso é o correto, que não devemos julgar ninguém, que precisamos ser tolerantes, etc. Até que alguma coisa aconteça e nos faça criticar, julgar e tomar atitudes contraditórias.
Por exemplo, dizer que não somos preconceituosos ou intolerantes com muitas coisas deveria ser politicamente correto ou lei já que somos “educados” para isso.
Mas o cenário muda quando nos vemos numa discussão com uma pessoa de cor negra, quando um homossexual aparece na mídia ou quando algo acontece com alguém de outra religião.
Pense bem: quantas vezes agredimos os outros por esses motivos ou nos vemos pensando dessa forma, sem escrúpulos e com pré-conceitos adquiridos ou herdados?
Considere também a influência que recebemos de pessoas ao nosso redor, como amigos, parentes e colegas de trabalho – certas pessoas são facilmente contaminadas pelo mal e se deixam persuadir sem perceber, quando veem, já estão fazendo parte desses grupinhos que adoram criticar ou ofender as minorias. Se ainda fizessem abertamente, saberíamos quem são e poderíamos tentar um esclarecimento. O pior é que se camuflam por trás de uma roupagem de “bom moço” e não conseguimos identificá-los.
São conceitos importantes que aprendemos durante a infância e que fica muito difícil nos livrarmos deles.
Nessa geração atual a forma de encarar o mundo é um pouco diferente, mais amena, suave, mas mesmo assim ainda vemos cenas de intolerância religiosa, sexual ou étnica.
O que será que ensinaremos aos nossos filhos e netos? Agredir livremente qualquer pessoa, espancar homossexuais, apedrejar templos de outras religiões? Ou será que multiplicaremos a paz e respeito ao próximo?
Mas aquela opinião ainda existe: “Respeito os gays, mas não aceitaria se um filho meu fosse também”. Como se a sexualidade fosse um produto a ser comprado no mercado. “- Se não quiser mais, devolvo ou jogo fora.”
A realidade já mudou tanto, o mundo evoluiu, as gerações mudaram – dos “Babyboomers” à Geração Y, de Woodstock à Rock in Rio, que impressiona algumas atrocidades que somos obrigados a conviver todos os dias.
Meus senhores, ser preconceituoso é mentir para si mesmo e fazer de conta que ainda vivemos no século 20! A verdade liberta dessas amarras antiquadas e que só mostram como suas cabecinhas são medíocres. Até quando vão persistir nisso? Será se não enxergam a necessidade de uma reforma íntima e criação de valores?
Uma das frases do Profeta Gentileza (José Datrino) que mais me comovem é a seguinte: “- O homem do futuro é o homem gentil”. Só que o homem do futuro que ele se referia há mais de 40 anos atrás já somos nós, aqui e agora, - e não podemos mais adiar a mudança de conduta que já deveria ter sido feita. Respeitar o próximo e suas diferenças é sim um mandamento inquestionável e indispensável para a nossa geração e as próximas!
Para ser considerada uma pessoa gentil, o homem deve possuir predicados indispensáveis para o bem comum como a solidariedade, tolerância, amor e respeito ao próximo, - sem falar na naturalidade e espontaneidade das atitudes – ambas inerentes e fundamentais para os pilares da gentileza humana.
Aí podemos ver o que acontece nas empresas do século 21: homens assediando mulheres (sim, a maioria dos casos de assédio moral acontece por parte dos homens contra as mulheres), que são obrigadas a se sujeitar as humilhações porque muitas vezes são as “chefas” do lar, falsos líderes que agridem verbalmente suas equipes e colegas de trabalho, ofensas e outras aberrações laborais.
A gente não se dá conta de que muitos profissionais são sufocados por tiranos diariamente e que precisam mentir para si mesmos que são felizes no trabalho.
Opa, como assim mentir que é feliz no trabalho? Por quê? Simplesmente porque muitas pessoas têm medo de trocar o certo pelo duvidoso, não têm coragem de ousar e empreender em busca de uma nova colocação no mercado, porque já trabalham há anos na mesma empresa, ou se acham incapazes de uma nova chance. Também existem aquelas que pessoas que se acomodam e que se acovardaram com o passar dos anos, tendo um grande medo de mudar, renovar ou transformar sua vida.
Resumindo: a auto-estima está em falta no mercado; tem muita gente sendo apedrejada e precisando de um suspiro de alívio. Sequer percebem que existem e podem sobreviver “pós-empresa-atual”, dar uma guinada profissional e se recolocar em outra empresa. Também podem empreender em causa própria criando seu próprio negócio ou trabalhando de forma autônoma
Em conversa com Gerentes de Recursos Humanos, fiz uma pergunta para que todos pudessem me responder se eles contratariam homossexuais, negros ou religiosos para cargos de liderança. Todos me responderam que sim, lógico. Porém, a maioria foi categórica afirmando que não selecionariam transexuais, negros oriundos de comunidades de baixa renda (favelados) ou muito menos pastores ou pais de santo.
A qualificação ou talento não valem nessas circunstâncias. O mais importante é a máscara que os outros usam – a maquiagem de uma empresa moderna, arrojada e completamente hipócrita. Essa é a verdade atual, nua e crua, cheia de preconceito e repressora.
Existem muitos grupos especiais no mundo, além dos homossexuais, negros e religiosos. Posso considerar os portadores de deficiências físicas, prostitutos, adictos e ex-presidiários como parte ainda segregada de nossa sociedade.
Muitas empresas hoje reservam vagas especiais aos deficientes como uma forma de reintegrá-los ao mundo, dando uma nova chance. Não existe tanta limitação assim na vida deles. Muitos fazem coisas que nunca podíamos imaginar: praticam esportes, estudam e formam famílias. Porque não trabalhariam? São capazes de superar obstáculos que a vida impõe de uma forma muito especial, pois enxergam o mundo de outra forma – simplesmente superam.
Uma vez perguntei a um cadeirante qual era a sua deficiência. Ele me disse que era tetraplégico por causa de um acidente de carro anos atrás. Depois dessa resposta, ele me perguntou: “E a sua?” Devolvi a resposta com outra pergunta: “Como assim a minha deficiência?” Foi um questionamento que fui obrigado a fazer e refletir sobre minha vida. Ele quis dizer que todos nós somos fracos em alguma coisa e que padecemos sim com alguma deficiência. Pode ser uma fraqueza emocional, uma incapacidade de superar algum problema ou, simplesmente, falta de habilidade com a vida.
A deficiência desse homem em cadeira de rodas era visível, mas a minha não era (talvez ainda não seja). Nem sempre demonstramos quem realmente somos, pois temos fragilidades interiores e que somente nossa mente conhece.
Ao invés de unirmos as pessoas, promovemos cada vez mais a segregação – separamos ou excluímos aquilo ou aqueles que não são iguais a nós mesmos.
Mentimos aos nossos filhos ou liderados com muita frequência com nosso discurso inflamado de “- Não sou preconceituoso” e somos responsáveis por tanta intolerância descabida e tão visível a olhos nus.
Podemos mudar isso a começar pelos nossos pensamentos e atitudes, percebendo o quanto é melhor viver ou trabalhar numa empresa livre de rótulos, estereótipos ou marginalização.
Um líder de verdade ou humano promove a flexibilidade sócio-cultural, incentiva as boas ações e respeito à comunidade ou aos colegas de trabalho. Também deve estar preparado para lidar com situações adversas onde seja necessário esclarecer mal entendidos e exterminar a intolerância.
Simples atitudes podem exemplificar e ensinar como ser humano no dia-a-dia e evitar as más condutas. Respeitar os mais humildes, cumprimentar com carinho as pessoas, não fazer parte de motins ou grupos de fofocas, ser dócil quando quiser ser ríspido, acalmar os ânimos e dizer o quanto todos são importantes.
Não espere que os outros tomem a decisão ou atitude de esclarecer ou orientar em relação a esse tema. Você pode começar agora, sendo solidário e educando quem precisar.
Dê o primeiro passo na direção certa e veja como vale à pena ser livre desse mal: o preconceito.

Luiz Gabriel Tiago (Sr. Gentileza)
srgentileza@srgentileza.com.br

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