quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Sr. Gentileza Entrevista Regina Tassinari - Psicóloga



Sr. Gentileza: Conte-nos um pouco sobre sua trajetória profissional. Porque escolheu a Psicologia e qual é sua área de atuação hoje?

Regina: Meu interesse pela psicologia se manifestou ainda no colégio, com aulas de psicologia infantil e educacional. Fiquei fascinada com a teoria do desenvolvimento infantil e de como tudo o que vivemos na infância se reflete em nossa vida futura. Iniciei o curso de psicologia com a idéia inicial de trabalhar com crianças. E assim foi. Durante os primeiros anos de minha formação estudei psicanálise e me dediquei a atender crianças e seus pais e acredito que essa experiência foi extremamente importante, pois hoje, mesmo em atendimentos de adultos, consigo perceber muito mais fácil a influência da experiência infantil daquele sujeito e a dinâmica familiar no qual ele foi criado. Percebo que trazer à luz da consciência situações da infância, pode modificar alguns padrões de comportamento gerados a partir de tais situações.
Prossegui com atendimentos e foram surgindo outros interesses de estudo, a partir da clínica. Estudei Programação Neurolinguística e Psicologia Transpessoal, ambas com o intuito de agregar ao meu conhecimento da Psicanálise, podendo gerar recursos para atender diferentes demandas na clínica, ou seja, diferentes pacientes, com expectativas diferentes com relação ao tratamento psicoterápico.
Hoje, tenho uma empresa que presta serviço à uma empresa multinacional, que implantou um Programa de Qualidade de Vida, oferecendo atendimentos aos funcionários durante o horário de trabalho. Tais atendimentos são realizados num espaço dentro da empresa exclusivo para esse fim e dentre os atendimentos oferecidos estão: psicoterapia, fisioterapia e acupuntura. A idéia deste programa é propiciar ao funcionário facilidade ao acesso desses atendimentos, entendidos como importantes para melhoria de qualidade de vida do funcionário.
Indispensável dizer da importância deste trabalho pois traz ao funcionário a possibilidade de tratar dores, tensões e desequilíbrios emocionais, sem se ausentar do ambiente de trabalho.

Sr. Gentileza: Muitos profissionais sofrem com assédio moral, falta de gentileza no ambiente de trabalho, desordens emocionais e problemas no relacionamento interpessoal. Qual o papel do Psicólogo nesse contexto e sua importância dentro das empresas?

Regina: Bem, acredito ser de grande importância o papel do psicólogo dentro das empresas como aquele que vai ouvir e “acolher” qualquer questão que incomode ou afete o desempenho do funcionário.
Dentro da minha experiência, que se trata de atendimento individual, mas, por estar num espaço físico da empresa e principalmente durante o horário de trabalho, aparecem, durante as sessões, muito mais conteúdos relacionados ao exercício profissional, frustrações vindas de expectativas não concretizadas, relacionamentos difíceis com colegas de trabalho e gestores, o que provoca um aumento de stress e ansiedade. Muitas vezes esses são os principais motivos que trazem o sujeito para uma psicoterapia, por vezes indicada por um gestor ou mesmo pelo serviço de saúde, quando percebe alterações no comportamento do funcionário, como maior freqüência em consultas médicas e pedidos de afastamento, ou então, o próprio sujeito percebe a necessidade de ajuda de um profissional. Com freqüência, a primeira queixa que traz a pessoa à uma psicoterapia, revela outros aspectos de insatisfação com sua vida, com seus padrões de comportamento que acabam se refletindo no trabalho, onde a pessoa passa a maior parte do tempo e acaba tendo feed backs de colegas e gestores, indicando a necessidade de mudar algo em si mesmo.
Daí a importância de um olhar mais atento a esses possíveis sinais e penso que, o funcionário talvez veja na pessoa do psicólogo, uma possibilidade de abrir questões pessoais e conseguir uma ajuda efetiva.


Regina em seu Consultório - Guarulhos/SP
 Sr. Gentileza: Você acredita que as pessoas possam ser felizes no trabalho? Ou isso ainda está muito distante de ser uma “verdade”?

Regina: Sim acredito, mas acredito também que pessoas que são felizes no trabalho, são pessoas que são felizes, primeiramente, com sua própria vida.
A escolha profissional está diretamente ligada às expectativas da pessoa com relação á vida e sua satisfação pessoal, ou seja, o que a pessoa pretende com aquela profissão, com aquela função. Alguns são felizes quando são bem remunerados, outros são felizes quando são reconhecidos, outros ainda quando têm estabilidade e segurança, ou seja, questões diretamente ligadas à subjetividade de cada um. Portanto, se o trabalho que a pessoa exerce, vai de encontro às suas necessidades, essa pessoa tem grandes chances de ser feliz no trabalho. Já, ao contrário, quando o trabalho não corresponde ao que a pessoa almeja, ela tem que se conscientizar disso e buscar uma mudança para não correr o risco de arrastar uma insatisfação e frustração, o que torna o seu trabalho algo muito massacrante e improdutivo.

Sr. Gentileza: Sabe-se que a Geração Y está cada vez mais preocupada com a humanização do trabalho, ou seja, almejam um local profissional onde se sintam em casa e possam produzir com mais leveza. Assim, quais estratégias podem ser adotadas pelos Gestores de Recursos Humanos nessa mudança de perfil e comportamento?

Regina: Acredito que um primeiro passo seja reconhecer e validar as diferenças entre as gerações, para promover uma interação produtiva, ou seja, cada uma podendo oferecer a outra o que tem de melhor.
Essa interação de gerações pode se tornar extremamente conflituosa, mas também, extremamente produtiva, se houver uma mediação, uma abertura de ambas as partes para aprender com o que o outro sabe.
Talvez a estratégia a ser usada possa ser, já na admissão, antecipar o efeito que aquele novo funcionário “Y” possa exercer no grupo ao qual ele será inserido, já que o RH tem conhecimento de quem são essas pessoas desse grupo e qual o seu perfil.
Pode-se assim, ficar atento á esse processo de interação, pois, sabemos que a geração Y tem aspectos muito positivos como criatividade e inovação, mas também aspectos negativos como ansiedade e impaciência, que podem representar uma ameaça ao desenvolvimento do seu trabalho se o mesmo sentir rejeição do grupo às suas “idéias inovadoras”.
Sabe-se que hoje, algumas empresas já percebem essa nova necessidade da geração Y e admitem e promovem algumas mudanças como: maior flexibilidade no horário de trabalho, possibilidade do funcionário exercer o seu trabalho ou parte dele em casa e espaços recreativos dentro do ambiente de trabalho. Exigências de uma geração que tem a capacidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo, mas, em contrapartida, precisa também “extravasar” parte dessa energia.

Sr. Gentileza: O que você considera mais importante: qualificação técnica/profissional ou competência em se relacionar com as pessoas? O que vale mais num processo de seleção atual?

Regina: O que vejo na prática clínica é que a pessoa pode ter uma excelente qualificação técnica mas, se não souber interagir no seu ambiente de trabalho a qualificação técnica acaba ficando em segundo plano.
De nada adianta uma pessoa saber muito e não conseguir produzir com aquilo que sabe, não conseguir passar adiante ou admitir outras possibilidades dentro daquilo que já sabe. Ou seja, a flexibilidade em admitir novas idéias, novas técnicas, novas estratégias, muitas vezes contam muito para que um trabalho, um projeto se concretize. E nunca se trabalha sozinho numa empresa. A idéia de grupo tem que estar sempre presente e incorporada para que o trabalho caminhe com mais facilidade.
Realmente lidar com diferenças não é nada fácil e podemos encontrar muitas diferenças num mesmo grupo. Resta então, aceitar que existem diferenças e que, por vezes, aceitar que fazer diferente do que se sabe, pode ser bom.

Sr. Gentileza: Quais dicas você pode dar aos jovens que desejam seguir a Psicologia como carreira? Quais predicados precisam ter para ser um profissional de sucesso?

Regina: Acredito que a melhor dica seria: “Siga sua intuição”.
Entendo a psicologia não só como ciência que é mas acima de tudo uma preocupação com o ser humano. Psicologia não é só técnica, é sensação, interação, empatia.
Empatia é a capacidade de se colocar no lugar do outro, de perceber o que o outro sente. Acredito ser essa a qualidade essencial para se ter sucesso na profissão.
É inacreditável como se promovem mudanças a partir de um oferecimento de um outro olhar, uma nova perspectiva, ou até mesmo, um simples “acolhimento” daquilo que é dito, sem julgamento, crítica ou cobrança.
Acho que é um trabalho extremamente gratificante. A pessoa te autoriza a entrar no mundo dela, na sua individualidade, na sua subjetividade, nos seus medos, suas qualidades, seus defeitos. E o cuidado com que tudo isso deve ser tratado é algo difícil até de expressar.
E quando tudo isso é tratado com muito cuidado, você vê o melhor resultado que poderia querer: a satisfação da pessoa com sua própria mudança! E isso, também é algo difícil de expressar...

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