quinta-feira, 17 de março de 2011

Hipocrisia no Trabalho * Texto de Luiz Gabriel Tiago - Sr. Gentileza

Não podemos mais aceitar a forma com que as outras pessoas nos tratam no trabalho. O que falar de situações em que somos maltratados, humilhados e assediados? Numa época em que tanto se fala de assédio moral e bullying, esses profissionais já deveriam ter se conscientizado sobre a importância de ser verdadeiro com o seu companheiro de jornada.

O que será mais importante: a competência ou a personalidade? Quais são os requisitos necessários para considerar alguém como “talentoso”? Ter comprometimento, ser eficaz nas tarefas, cumprir o manual de normas e condutas da empresa e dominar a rotina técnico-operacional da função? E os requisitos para ser uma pessoa de “personalidade-forte”? Ah, esse predicado sim merece relevância. Essa pessoa é aquela que diz sempre tudo na hora que bem entende, não “guarda do almoço pra janta”, não se sensibiliza com os outros, é diretivo-reativo e, principalmente, consegue separar bem a vida pessoal da profissional.

Essa é a mentira que convivemos todos os dias. Além de ser totalmente admissível (ainda) é de uma profunda hipocrisia considerar como importante e mais valioso pessoas que se dizem com uma personalidade forte.

No meu tempo personalidade forte significava – não se abater diante dos problemas, ser franco, saber respeitar o próximo, ser flexível, perfeccionista e admitir que pode estar errado em alguma coisa; palavrões e ataques de fúria (coitadinho) não são predicados qualificáveis para se atribuir à uma personalidade. Esses últimos são defeitos e fraquezas de pessoas que, por herança ou nascença, são mal educadas.

Essa verdade hipócrita – ou mentira verdadeira – é a máscara utilizada por profissionais e gestores que insistem em coibir e coagir a ação de “colaboradores-parceiros-de-trabalho” na tomada de decisões e formas de expressar o que sentem. Nem percebem que podem colaborar para o bem estar de alguém ou deveriam ser o modelo de liderança.

Quantos de nós já nos reportamos a algum líder pra pedir ajuda em alguma situação problemática e fomos recebidos com agressões verbais e humilhantes? Não pensem que essa cena não existe mais, pois ela ainda continua assombrando muita gente por aí. Esses profissionais “competentes e de personalidade forte” só existem porque ainda nos submetemos a eles. O medo de ousar e buscar uma nova posição no mercado permeia nossas vidas e impede com que façamos uma revolução em prol de condições melhores de trabalho.

Estamos contando mais uma mentira quando permitimos que esse tipo de coisa aconteça. Mentimos porque acabamos subtraindo novas possibilidades de transformação pessoal e profissional ou porque anulamos nossa auto-estima – nos sentimos incapazes de recomeçar e tomar as rédeas da própria vida.

Não existe receita ou método para acabar com a mentira no trabalho. O que existe é deixar transparecer a necessidade de uma mudança, mesmo que seja necessário um empenho maior nessa busca por uma chance de realização. A disciplina, dedicação, empatia e amor próprio são itens inerentes de uma personalidade educada, pois nem sempre fortaleza é sinônimo de competência.

LUIZ GABRIEL TIAGO

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