GENTILMENTE ABORRECIDA

Li nesse domingo um artigo escrito pela Fernanda Young - que por sinal dispensa apresentações. No início pretendi discordar de tudo que tinha escrito até fazer algumas reflexões. Não vou postar aqui o texto na íntegra, pois está bem na minha cabeça tudo o que elucidou.
Seu título é "Hamlet em um domingo até que razoável" produz em nossa consciência o pensamento do que realmente estamos fazendo com nossas vidas.
Não interessa o que os outros queiram que você faça ou simplesmente digam quais serão suas vibes. Ela diz que não gosta dos seus dias e que muitas coisas a irritam. Não é nem um pouco masoquista, não quer sofrer, mas seu domingo é insuportável, principalmente pela "festinha de criança que acontece no prédio da frente". Mais um dia se passa e não quer adotar adjetivos definitivos ou rabugentos.

"Todos com suas devidas razões para estarem levemente aborrecidos com as coisas."

Isso é o que acha da vida. É o que acha das coisas que movimentam o mundo. Pode parecer estranho, mas é bastante coerente e não-hipócrita com suas palavras. Verdadeira e transparente, gostem ou não gostem dela, falem o que quiser, façam o que der na telha - sua vida vai continuar.
Sem possibilidades de filosofar ou poetizar nessa postagem, mas o domingo é uma referência melancólica, pois todo mundo está em casa de folga, sem ter o que fazer e curtir. O que gostamos mesmo é da correria dos dias úteis, dos ônibus lotados, engarrafamentos, e-mails se multiplicando na caixa postal, a empresa cobrando resultados, família em crise... Entre outros milhares de sortilégios da modernidade.

"É muito triste sentir-se um espírito-de-porco, em meio a um exército de contentes."

Cada um busca sua "conteteza" da forma que achar conveniente e prática. Mas será que nunca nos sentimos um pouquinho pessimistas em relação à vida? Será que nunca refletimos que nossos problemas são muitos e parecem não acabar nunca?
Ou será que o domingo é o dia que temos para abstrair e repensar tudo? Cabe aqui uma reflexão, um tempo para energização e recarga das baterias. Afinal de contas, domingo também sempre acaba.

O artigo da Fernanda Young foi publicado na Revista de Domingo do Jornal O Globo de 26/04/09. Vale à pena lê-lo. E para quem não a conhece, é escritora, roteirista e apresentadora de TV.